A Figueira Estéril | 3º Domingo da Quaresma – 2025

“Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?
O centro do evangelho de São Lucas
As leituras do evangelho de São Lucas, no capítulo 15, apresentam 3 parábolas de misericórdia: A Dracma Perdida, A Ovelha Perdida e O Filho Pródigo, sendo elas o centro do evangelho de São Lucas. São Lucas quer revelar Jesus Cristo como misericordioso por excelência.
O contrário da transfiguração é a desfiguração, na transfiguração Jesus revela sua qualidade máxima. Jesus, sendo Deus, se transfigura porque a comunidade estava tendo uma crise de fé. Essa crise, que está acontecendo na sociedade daquela época, é normal, assim como nos tempos de hoje, como por exemplo, escândalos.
A primeira comunidade cristã já experimentava crises e escândalos, uma delas é a traição de Judas Iscariotes. Jesus, quando se transfigura, antecipa sua glória da ressurreição. O pecado nos desfigura, e Jesus se desfigurou na cruz para assumir nossos pecados.
A dimensão do pecado não é só moral, mas existencial, destruindo nossa alma e nossa identidade. Tal era a feiura do servo de Javé que ninguém conseguia olhar para Ele na cruz. Quando ofendemos uma pessoa, não estamos apenas destruindo uma relação, mas nos desfigurando.
Devemos expressar a beleza de Deus
Nós cristãos, ao olharmos para a cruz, temos que ver estampado nela os nossos pecados. Jesus restaura em nós a beleza de sermos filhos e filhas amados de Deus e, portanto, expressamos a beleza de Deus. Não podemos, no mundo, expressar a desfiguração do nosso ser, porque o mundo está desfigurado pelo pecado, como intolerância, ódio, guerra, inveja, vingança, cobiça etc.
Na primeira leitura, Moisés estava pastoreando o rebanho de seu sogro na base do Monte Sinai e isto durou por 40 anos. Moisés era um homem fugido do Egito porque lá havia feito justiça com as próprias mãos. 40 na Bíblia significa um tempo de preparação, por isso o termo quaresma significa 40 dias.
Quando Moisés vai para além do limite de sua vida, tem a experiência da sarça ardente, e Deus o chama lhe confiando a missão de guiar seu povo à terra prometida. Moisés teve medo e resistiu a este chamado, mas não teve como escapar.
Deus nos dá tudo o que é necessário para que possamos realizar nossa missão. Nossa missão não é, por exemplo, libertar a Ucrânia da opressão da Rússia, mas ser o melhor esposo, a melhor esposa, os melhores pais, os melhores funcionários, patrões etc. para que possamos testemunhar ao mundo as maravilhas nos dadas por Deus.
O Matrimônio é a santificação dos cônjuges
Deus vai cobrar de nós a quantidade de almas que levaremos ao céu, mesmo que não tenhamos agradado a todos neste mundo. Por isso o matrimônio é a santificação dos cônjuges, onde um tem que levar o outro para o céu. Quanto maior nossa cruz, mais santidade se expressa em nós.
Na vida, nós crescemos nas dificuldades, por isso Deus permite determinadas realidades em nossas vidas para que nos aperfeiçoemos e demonstremos ao mundo que quem nos guia e quem nos dirige é Deus, assim como Moisés sentiu isso.
Deus não nos castiga, porque Deus é amor e misericordioso. Não pense que você perdeu tudo por conta do pecado, mas porque não era para ser seu, e Deus tem algo melhor reservado para você, assim como fez com Jó.
A figueira não produz frutos para si mesma
A figueira, do evangelho, também representa nossas realidades, apesar do vinhateiro tê-la adubado acreditando que ela ainda pudesse dar frutos; ao invés disso, a figueira só consumiu as riquezas da terra, então Deus a secou. Deus espera que produzamos muitos frutos, e que eles permaneçam. Do contrário, não é Deus que se afasta de nós, nós que nos afastamos Dele.
A árvore não produz frutos para si mesma, ela produz frutos para serem consumidos e desfrutados por outros. Um dos frutos que Deus espera de nós é amor, bondade, paciência, benevolência, caridade, inclusão, acolhimento, perdão etc. O ano do jubileu é o ano do perdão por excelência.
Deus nos dá uma vocação, a vocação à santidade, ou seja, a vocação para trabalharmos para a construção do reino de Deus, por isso nós estamos aqui. Façamos isso com a confiança que vem da esperança que não decepciona, deste Deus que está sempre conosco.
Deus nos oferece sua palavra e sua Eucaristia para que alimentados e fortalecidos possamos sair e produzir frutos para tantos que necessitam. Há muita gente faminta, não apenas de pão, mas de uma palavra, de um testemunho de alguém que o acolha, alguém que o ouça e o tire da escuridão. E esse alguém somos nós.
Peregrinos da esperança, somos chamados a levar a esperança, que não decepciona, a todas as pessoas.
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Artigo baseado na homilia de
Padre Manoel Corrêa Viana Neto
Diocese de Campo Limpo
São Paulo – SP