O Filho Pródigo | 4º Domingo da Quaresma – 2025

“Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.”
A parábola do Filho Pródigo
A parábola do Filho Pródigo reflete em todos nós, e nos fariseus do tempo de Jesus, a situação de dois irmãos. O filho mais velho, que era todo correto e servo de seu pai, se sente excluído e com inveja de seu irmão, que gastou sua herança com prostitutas e bebedeira, ser acolhido por seu pai que mandou abater um novilho gordo para festejar o retorno de seu filho arrependido.
O filho mais velho questiona o pai dizendo que nunca o viu mandar abater um novilho gordo para ele. E o pai responde dizendo que tudo o que tem também lhe pertence.
Jesus comparou o filho mais velho com os fariseus, que protestavam contra Jesus por comer com os excluídos e marginalizados, que no fundo tinham inveja Dele. Ambos os irmãos desobedeceram ao pai de alguma forma, porque não o amavam, pois quem ama, obedece.
O Centro do Evangelho de São Lucas
A parábola do Filho Pródigo é o centro do evangelho de São Lucas, e ao mesmo tempo o grande paradoxo na Bíblia. Jesus compara o pai desses dois filhos a Deus que é misericordioso e ama incondicionalmente todos os seus filhos. Para alguém herdar uma herança é preciso que alguém morra, então é como se o filho mais novo tivesse matado o pai simbolicamente.
O filho mais velho, por mais que seguisse a lei judaica à risca, tinha dentro de si um ódio e uma inveja profunda, enquanto o filho mais novo, tinha gastado tudo o que possuía; então houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar necessidade.
Quantas vezes saímos de casa, da igreja, da vida de fé, para experimentarmos novas sensações em outros lugares? Quantas vezes não gastamos nossos bens, nossas energias e capacidades nas coisas do mundo achando que iria nos satisfazer sem que nenhum mal nos atingisse?
A decadência do filho pródigo
Do mesmo modo, o filho mais novo foi parar em um lugar estrangeiro e no meio dos porcos como cuidador, que era uma humilhação para um judeu que não consome carne de porco por tradição, e para ele só lhe restou as lavagens dos porcos para consumo.
O pecado é revestido de beleza, mas por dentro é extremamente nocivo à nossa vida. Nós recebemos de Deus a graça, a sabedoria, inteligência, capacidades e, mesmo assim, nos deixamos ser atraídos pelo pecado, achando que ele saciará a nossa fome e nossa sede.
O filho mais novo é muito inteligente por lembrar que na casa de seu pai teria o suficiente para lhe saciar, então decide voltar, porém ainda não se converteu, e só foi se converter quando o pai o abraçou e o beijou, pois não esperava por isso, achava que o pai o trataria apenas como um empregado.
Quantas pessoas não tem um relacionamento com Deus apenas na base do interesse, oferecendo promessas, correntes etc.? Também devemos recorrer a Deus quando precisamos, e entender que se Ele não nos der o que queremos é porque Ele sabe que isso não seria o melhor para nós, então devemos ser humildes, aceitar, permanecer fiéis e, quando recebermos as graças, testemunhá-las.
Jesus nos compara ao filho mais velho
De nada adianta sermos hipócritas, como alguns católicos praticantes que comungam, praticam a caridade, são devotos de Nossa Senhora etc. mas não perdoam o irmão, evitando-o e, ao mesmo tempo, sentem ódio e desejo de vingança, isso se já não se vingaram. Assim como o filho mais velho, são piores que o filho mais novo que de fato se converteu, apesar de seus erros no passado.
O pai quer salvar o filho mais novo e o filho mais velho. E o que tem dentro da casa do pai? Uma festa. O filho mais novo arrependido entra na festa, e o filho mais velho, aparentemente correto, não quer participar da festa e nem que o irmão participe.
Quantos católicos praticantes não deixam de convidar alguém para suas festas só porque não gostam da pessoa? e às vezes é até um parente ou alguém próximo. Esse negócio de festa é sério, quando o filho mais velho morrer e quiser participar da festa no céu, Deus vai barrá-lo enquanto o filho mais novo estiver festejando lá dentro.
A origem da inveja
Reconciliai-vos e perdoai-vos uns aos outros, isto é acolher quem errou. Como o pai nos abraça, Ele também espera que abracemos nossos irmãos, não importa quem seja. Há muita gente que ama batendo porque não sabe demonstrar amor de outro modo e porque não é amada, causando-lhe inveja.
Não devemos ser passivos dos problemas dos outros dizendo: “Isto não compete a mim e eu não tenho nada a ver com isso”. O banquete na Terra é quando Jesus se oferece como alimento para nós em sua festa. “Bem-aventurados os famintos porque serão saciados!” Peçamos a Deus que Ele coloque em nós uma roupa nova para que possamos participar de Sua festa!
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Artigo baseado na homilia de
Padre Manoel Corrêa Viana Neto
Diocese de Campo Limpo
São Paulo – SP